Rituais no Rio Ganges

Foto por Sam Kolder em Pexels.com

Tudo o que eu queria ver da Índia ainda não tinha encontrado, faltava algo que talvez estivesse conectado ao meu imaginário e recordações da novela da Rede Globo. O que eu desejava era a Índia dos rituais no Ganges. Passei a achar inclusive que a autora Glória Perez tivesse fantasiado bastante na obra que contou a história de Maya e Bahuan. Até chegar a Varanassi.

Se em Agra, Jaipur e Rishkesh o trânsito era caótico, em Varanassi umas 30 vezes pior. Carros, motos, tuktuks, pedestres, bicicletas, vacas, cachorros dividindo o mesmo espaço, de maneira nada ordenada e com uma sinfonia de buzinas sem sincronismo, causando muita poluição sonora. Nada, no entanto, que afetasse o desejo de conhecer a Índia dos rituais no Ganges.

Nem mesmo a sujeira também nas ruas, das avenidas mais largas às vielas da cidade antiga atrapalhavam o desejo de explorar Varanassi. As vielas que permitem a passagem de no máximo duas motos lado a lado, também tinham que enfrentar vacas empacadas pelo caminho, transtornando ainda mais o que parecia ser impossível de acontecer.

Varanassi

A morte é consagrada na Índia

Varanassi é a cidade mais antiga do mundo, de acordo com os hindus. E é justamente o povo que segue esta religião que percorre milhares de quilômetros para estar na cidade sagrada, localizada na margem esquerda do Rio Ganges. Também conhecida como Benares ou Kashi, Varanassi teve a população aumentada devido o desejo da população de envelhecer próximo ao rio sagrado, para facilitar o processo de chegada no céu tão logo morram. Aqueles que não têm esta chance, acabam tendo os corpos transferidos sobre os carros, no teto, para que o ritual seja realizado e as chances de entrar no paraíso ou reencarnar aumentem.

Dois brasileiros num casamento indiano

Além dos rituais de vida, morte e o em homenagem ao Ganges, tivemos a sorte de ir numa festa de casamento. Não conseguimos acompanhar a cerimônia deste o começo, mas pudemos ver parte da chegada, quando homens carregam lanternas, seguidos do carro com a noiva e de um veículo de som, com a população atrás seguindo a música. Numa alusão ao Brasil, seria mais ou menos um mini trio-elétrico, em que a “pipoca” (povo fora das cordas) segue o ritmo.

Fomos levados pelo nosso guia, que tinha quatro festas naquela noite. Segundo ele, março é um mês tradicional dos casamentos na Índia. Eram 118 previstos para aquela sexta-feira apenas em Varanassi. Nosso receio inicial era entrar na festa sem ser convidado, depois, como a noiva ainda não estava no local, era que desviássemos a atenção principal que era ela.

Fonte: https://www.viajarevida.com.br

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