A Morte de Jesus na visão de um forense criminal

Cristãos devotos meditam sobre a crucificação de Jesus de várias maneiras, ou refletindo sobre as estações da cruz, outros recitando o rosário, muitos o fazem lendo as Escrituras, ou então recolhendo-se em silenciosa meditação.

Todavia, embarquemos numa jornada forense, principiando no Jardim do Getsêmani e terminando com a morte de Jesus no Calvário, numa espécie de via-crúcis forense, para que possamos avaliar criticamente cada fase, de modo a obtermos uma compreensão mais preciosa dos efeitos da crucificação – o que, sem dúvida, enriquecerá muito as nossas meditações.

A jornada “Via Crucis”

Nossa jornada começa no Jardim do Getsêmani, localizado no Monte das Oliveiras, de onde Jesus e seus discípulos partiram depois que Ele anunciou que sua hora havia chegado. Quando eles chegaram, Jesus afastou-se para orar: ” A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai que aqui e vigiai.” (Mc 14.34).

Jesus estava totalmente ciente dos sofrimentos que teria que suportar. De repente, seu coração começou a bater forte em seu peito, aceleradamente. Ele empalideceu, suas pupilas dilataram-se por completo; sua respiração tornou-se mais rápida; seus joelhos vacilaram e Ele caiu ao chão, incapaz de manter-se em pé.

A adrenalina era bombardeada por todo o seu corpo; uma reação “lutar ou fugir” havia sido desencadeada. A profunda angústia mental de seu sofrimento tinha começado, drenando as forças de seu corpo, Ele começou a enfraquecer, caiu ao chão e orou repetidamente.

Ele repetiu as orações a noite toda. Então olhou para os céus e pediu; “Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo não se faça a minha vontade, e sim, a Tua.”

O conforto veio do Céu

E então apareceu para Ele um anjo do Céu para confortá-lo; e, estando em agonia, Ele orou mais intensamente. Seu suor caiu ao chão como  gotas de sangue (Lc 22.42-44). Ele tinha aceitado seus destino! Agora o ritmo de seu coração começou a tornar-se mais lento.

Seu rosto recobrou as cores, seus músculos relaxaram e seu corpo encharcou de suor sanguinolento, enquanto coágulos de sangue caíam ao chão, porejando de pequenas hemorragias que surgiram de suas glândulas sudoríparas. Jesus ficou debilitado devido à extrema exaustão mental.

A prisão e a tortura dos açoites

Pouco depois, Ele foi preso e levado ao Sinédrio, onde foi molestado e acusado de blâsfemia e então levado diante de Pilatos, onde foi acusado de estar “pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser Ele mesmo o Cristo, Rei (Lc 23.1,2). Pilatos enviou Jesus a Herodes, que o devolveu a Pilatos.

Então Pilatos tomou a Jesus, e mandou açoitá-lo, (Jo 19.1). Ele então foi curvado e amarrado a um pilar baixo, onde foi flagelado nas costas, peito e pernas, com um flagrum multifacerado, que continha pedaços de metal e ossos, em suas extremidades.

Os scorpiones penetraram profundamente em sua carne, dilacerando pequenos vasos, nervos, músculos e a pele. O peso dos scorpiones fazia com que a cinta de couro fossem projetadas para a parte da frente de seu corpo, dilacerando a carne dali também.

Profundo sofrimento

Seu corpo deformou-se em função da dor, fazendo com que Ele caísse ao chão, somente para que O colocassem de pé novamente. Breves movimentos convulsivos ocorreram, seguidos por tremores, vômitos e suores frios. Gritos ecoavam a cada golpe recebido. Sua boca ficou seca e a língua colou-se ao céu da boca. Ele foi reduzido a um estado lamentável.

Jesus respirava com dificuldades, sua respiração tornou-se menos profunda e mais rápida, uma vez que Ele não conseguia respirar por causa das fortes dores no peito, decorrentes dos ferimentos em sua caixa torácica, costelas e pulmões.

Em seguida os carrascos apanharam o arbusto típico da Síria, a “espinho-de-Cristo”, com suas fileiras de espinhos afiados e recurvos, que crescia ao lado do Pretório, fabricaram um coroa com os ramos entrelaçados e a fixaram em sua cabeça.

As humilhações e o desprezo

Eles prestaram homenagem ao novo rei desfilando à sua frente, ajoelhando-se diante Dele e golpeando-lhe as faces com um cetro de madeira e cuspindo em Jesus. Suas bochechas e nariz ficaram vermelhos, feridos e inchados. Dores agudas e lancinantes, que pareciam choques elétricos ou pontadas de ferro em brasa revelavam-se em seu rosto.

Dores semelhantes ao “choque elétrico”

Uma condição médica conhecida como neuralgia do trigêmeo ou tic douloureux,revelam que Suas feições distorceram-se e seu corpo ficou tão tenso que não conseguia mais mover-se, pois cada movimento convocava novos ataques agonizantes.

Pilatos então ordenou que Jesus fosse crucificado e o centurião e oquaternio (quatro soldados sob as ordens de seu comandante) colocaram a barra horizontal da cruz, que pesava entre 23 a 24 quilos, sobre os ombros de Jesus, que já se encontravam severamente lacerados pelo açoitamento. Ele sentiu dores ainda mais agudas.

Jesus, num principio de estado de choque traumático, mal conseguia manter o equilíbrio e ofegava. Ele continuou em seu caminho, colina, acima, com a barra sobre suas costas. O sol do meio-dia estava quente; o suor pingava de seu corpo, desidratando-o e fazendo piorar sua sede.

Ele não conseguia mover sua língua, que parecia ter aumentado muitas vezes o seu tamanho. Seu corpo inteiro reagia ao sofrimento proveniente dos múltiplos ferimentos causados pelo açoitamento.

Caminho ao Monte Caveira

O caminho para o Gólgota era colina acima, ladeira íngreme e empoeirada. Ele respirava cada vez com mais dificuldade, devido ao lento acúmulo de fluido ao redor de seus pulmões – condição médica chamada de efusão preuralresultante do brutal açoitamento.

Chegando ao Calvário um soldado agarrou as vestes de Jesus, e arrancou-as violentamente, Jesus sentiu como o seu corpo inteiro estivesse em chamas.

A barra horizontal da cruz foi depositada no chão e Jesus foi colocado sobre ela, com três homens imobilizando-o; um deles, em cima de seu peito. Isto trouxe uma dor horrível e mais dificuldade para respirar, pelos danos causados às paredes da caixa torácica, devido ao açoitamento.

Jesus gritava em agonia. Enquanto os soldados o seguravam, um prego grande e quadrado foi fincado através da palma de sua mão, na proeminência muscular localizada na base de seus polegar. Ele soltou um grito de fazer gelar o sangue de quem o ouvia.

A terrível crucificação

O prego penetrou no nervo mediano, causando uma das piores dores que um ser humano pode sofrer, chamada causalgiaApesar das exaustão, Jesus se contorcia e lutava;  a dor era insuportável e queimava como se um raio tivesse atravessado seu braço. A segunda mão foi pregada pregada à trave da mesma maneira, fazendo com que Ele desse outro berro de agonia.

Jesus então foi forçado a ficar de pé, com suas mãos pregadas à barra. Seus joelhos dobraram. Dois soldados levantaram cada extremidade da barra enquanto outros dois agarram Jesus ao redor de seu corpo. Então eles colocaram a barra no encaixe que havia sido escavado no topo da estaca.

Enquanto seguravam Jesus pela parte inferior de seu corpo, dois membros dos quaternio dobraram Seus joelhos e forçaram seus calcanhares contra a estaca, até que eles ficassem firmemente apoiados à cruz. Um dos homens fincou um prego em cada pé, enquanto um outro homem mantinha-os seguros sobre a cruz (Sl  22.14).

A agonia na Cruz

A dor era excruciante, e novamente Jesus gritou em agonia. Ele estava completamente exausto, com falta de ar e sofrendo dores terríveis. Sua língua grudou-se ao céu da boca, que estava repleta de muco espesso (Sl 22.15). O suor porejava de todo o seu corpo, deixando-O encharcado e seu rosto assumiu um coloração pálida e amarelada.

Sua respiração tornou-se menos profunda e mais rápida, e fortes cãibras dominaram suas panturrilhas. Isto obrigou-lhe a contorcer-se, curvar e arquear seu corpo para tentar estender as pernas e aliviar as cãibras.

As dores eram profundas e dilacerantes, como se uma corrente elétrica atravessasse seus braços e pernas, irradiando-se dos pregos nas mãos e nos pés; através de seu rosto, pela irritação causada pelos espinhos da coroa; as dores excruciantes do açoitamento.

O grande impacto recebido sobre os ombros, as cãibras intensas nas panturrilhas e a sede extrema uniram-se para causar uma sinfonia de dores implacável. “Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que quer dizer “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mc 15.34).

O clamor final

Depois de várias horas de agonia insuportável na cruz, Jesus clamou em voz alta: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”, E, tendo dito isso, expirou. (Lc 23.46).

“Deus amou o mundo (você e eu) de tal maneira (infinitamente) que deu o seu Filho Unigênito (Jesus) para que todo aquele que Nele crer, não pereça (no inferno), mas tenha a vida eterna (salvação). (Jo 3.16)

Autor:  Frederick T. Zugibe – médico legista – expert em patologia forense

Pastor Antonio Romero Filho

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: