O Tabernáculo de Moisés – III

PANORAMA TIPOLÓGICO DO TABERNÁCULO DE MOISÉS

Neste estudo preferimos chamá-lo o Tabernáculo de  Moisés  para distinguir  dos  outros tabernáculos mencionados   nas   Escrituras  e  porque  o modelo  para  a sua construção foi dado por Deus a Moisés no monte Sinai (Êx 24.12).

O Tabernáculo de Moisés e sua mobília podem ser vistos nos seguintes aspectos tipológicos:

  1. Tipificando Cristo e seu Ministério (Cl 1.19).

A principal interpretação referente ao Tabernáculo é encontrada na pessoa do Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Palavra que se tornou carne e “habitou”, que no grego significa “tabernaculou” entre nós.

Tudo no Tabernáculo aponta para Jesus Cristo e seu ministério. Em Isaias 8.14 encontramos “Ele vos será um santuário”. Observaremos esta interpretação com mais detalhes estudando a tipologia do Tabernáculo (Jo 1.14)

  1. Revelando a Obra Redentora (Hb 9.28).

O Tabernáculo e sua construção, juntamente com a mobília, simbolizam e revelam o plano final da salvação através de Jesus Cristo. Ele nos fala dos meios pelos quais Deus veio até nós, e os meios pelos quais podemos ir a Deus.

Partindo do lado de fora do Átrio e mostrando-nos o caminho, passo a passo, até que estejamos dentro do Santo dos Santos. Aqui, tornamo-nos apercebidos quão indignos e não merecedores somos de sua graça. No propiciatório (trono da misericórdia) encontramos o perdão pelo Seu precioso sangue derramado pelos nossos pecados (Rm 5.10,11)

  1. Profeticamente, a Igreja de Cristo (Ef 1.22,23).

É a interpretação que encontra cumprimento na Igreja, que é o Corpo de Cristo, “a plenitude daquele que enche todas as coisas”. A Igreja agora é morada de Deus, sua habitação.

A Igreja é muito mais que uma simples organização, mas o organismo vivo de Cristo que tem funções e tarefas especifica de oferecer sacrifícios como “Sacerdócio real”, adorar o Deus santo como “nação santa” e anunciar o Evangelho a todas as nações como “povo adquirido”.

O Tabernáculo e sua mobília “é cópia e sombra daquele que está no céu”, para que Cristo habite (grego: tabernacule), pela fé, no vosso coração (Ef 3.17).

  1. A tricotomia – espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23).

O Pátio que desfrutava da luz natural, rodeado por uma cerca de linho fino retorcido visível por todos e que estava sucessível às intempéries do tempo, é a figura do corpo (grego: soma).

O Lugar Santo, onde havia a luz interna, é a figura da alma, alimentando-se na mesa, sendo iluminada pela luz interna do candelabro e tendo comunhão no altar do incenso (grego: psyche).

O Lugar Santíssimo, iluminado pela glória de Deus, onde estava a arca da aliança, a presença e o trono de Deus, é a figura do espírito, residência da glória e da presença do Deus vivo (grego: pneuma), (Gn 2.7).

  1. Retratando o Santuário Celestial (Hb 9.24).

O Tabernáculo era uma reprodução esboçada na terra do Santuário verdadeiro nos céus.  Há um Tabernáculo real, verdadeiro e espiritual, onde Cristo, nosso Sumo sacerdote está exercendo seu ministério no Santuário Celestial.

Ele governa, reina, intercede e ministra em favor de seu povo, que também é chamado para ser uma nação de reis e sacerdotes junto a Deus. (Hb 8.1-4).

  1. Dispensação dos Tempos e Épocas (1 Co 10.11).

O metal predominante no Pátio era o bronze, que é uma figura do período da Lei, ou do Juízo. O metal predominante no Lugar Santo era o ouro e a prata e não havia derramamento de sangue, era uma figura do período da dispensação da Graça (Igreja).

No Lugar Santíssimo, havia a arca da aliança símbolo do trono e da presença de Deus (Shekinah), o que predominava era a glória de Deus, figura da dispensação do Reino Milenar – o Milênio (Ap 21.3).

  1. Manifestações da vinda de Cristo (At 1.11).

A primeira Entrada que conduzia ao Pátio de Bronze (lugar de sofrimento, sangue, morte, regeneração) é a figura da Primeira manifestação, quando o Verbo habitou entre nós, e foi a Cruz morreu e ressuscitou. A segunda Entrada que conduzia ao Lugar Santo, onde o ouro e a prata predominavam (dispensação da Igreja), é a figura da Segunda, para arrebatar os santos redimidos. A terceira Entrada para o Santíssimo (Shekinah), onde o ouro predominava, é figura da Terceira manifestação, para estabelecer o Milênio (Ap 1.7).

  1. A Santa Trindade na Obra Redentora (Mt 3.16).

     As Escrituras ensinam que Deus é um (o Tabernáculo é um), contudo a Trindade Divina é composta de três Pessoas distintas e divinas, que são: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, ou seja, três Pessoas distintas compõem a Trindade (três partes distintas compõem o Tabernáculo: o pátio, o Lugar Santo e o Santíssimo).

A palavra Triunidade fala da forma única de Deus viver, que é a existência de três em um.  Assim sendo concluímos que cada Pessoa da Trindade Divina possui trabalho ou missão distinta, ou seja: O Pai é que planeja, o Filho executa e o Espírito aplica e sustenta a obra redentora. O Tabernáculo era a habitação do Trino Deus.  O Deus Pai planeja “no Lugar Santíssimo”; O Filho “no Pátio” executa e o Espírito Santo no Lugar Santo aplica (2 Co 13.13).

Continuará…

Pastor Antonio Romero Filho

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