O Tabernáculo de Moisés – IV

Os Construtores do Tabernáculo de Moisés

Inicialmente dois homens chamados e capacitados por Deus, auxiliados por cooperadores (Ex 31.6): (1) Bezalel – que significa “Debaixo da sombra de Deus”, da tribo de Judá – “Louvor” (Êx 31.2). (2) Aoliabe – que significa “O Pai é a minha tenda”, da tribo de Dã – que significa “Juiz” (Êx 31.6).

Deus necessitava da habilidade, do conhecimento e do trabalho deles. Inclusive as mulheres empregavam suas mãos fiando tecidos primorosos (Êx 35.25,26; 36.4).

O tempo gasto na construção do Santuário: comparando Êxodo 19.1 e Números 9.1; de acordo com elementos da “tradição judaica”, foi de aproximadamente nove meses. Após nove meses, tornou-se Habitação do Deus Vivo. O mesmo aconteceu na Encarnação do Verbo, quando Jesus foi gerado pelo Espírito, no ventre de Maria (Lc 2.7).

Os três grupos de materiais usados no Tabernáculo

Mineral

  1. Ouro – glória, divino (Ap 21.21,22) – 1.300 kg.
  2. Prata – redenção, expiação (Êx 30.11) – 3.400 kg.
  3. Bronze – juízo, julgamento (Is 4.4) – 2.400 kg.
  4. Pedras preciosas – dons, riquezas (1 Co 3.9-17).

Vegetal

  1. Linho fino – a Justiça de Cristo (Ap 15.5,6).
  2. Madeira de Acácia – a Humanidade de Cristo (Is 11.1-3).
  3. Óleo para iluminação – a Luz de Cristo (Jo 8.12).
  4. Óleo da Unção – a Unção de Cristo (1 Jo 2.20).
  5. O Incenso aromático – a Intercessão de Cristo (Sl 141.2).

 Animal

  1. Tecido Azul (de moluscos) – O Celestial (Êx 24.10).
  2. Tecido Púrpura ( moluscos gastrópodes)– O Rei (Jo 19.1-3).
  3. Tecido Vermelho (de insetos) – O Servo (Is 1.18).
  4. Pêlos de cabras – O Puro (Lv 4.22-29).
  5. Peles de carneiro de vermelho – O Sofredor (Gn 22.13,14).
  6. Couro de texugo – O Desprezado (Is 53.1-3).

O VALOR INESTIMÁVEL DO TABERNÁCULO

  1. Seu valor tipológico: Deus usou figuras para comunicar maravilhosas verdades divinas facilitando assim o entendimento humano sobre os desígnios divinos e o plano Redentor do Senhor Jesus Cristo (1 Co 10.11).
  2. Seu valor espiritual: Deus desejava gravar na mente humana, grandes e eternas verdades tais como sua Majestade, santidade e glória; e a forma de aproximar-se de um Deus Santo e Zeloso. (Rm 15.4).
  3. Seu valor literal: O Tabernáculo de Moisés está aproximadamente avaliado em hum milhão, duzentos e cinqüenta mil dólares, na realidade esse valor não representa nada diante de tudo aquilo que o Tabernáculo era para a nação de Israel (1 Pe 1.18,19).
  4. Seu valor eterno: Revelar Jesus Cristo, que efetuaria a Redenção da humanidade e a realidade suprema do Céu dos céus e desempenhavam um papel importante em preparar os hebreus para receber a obra sacerdotal de Jesus Cristo ( Hb 9.24).
  5. Seu valor doutrinário: “Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4).
  6. Seu valor prático: Os objetos e ritos do Tabernáculo de Moisés também prefiguravam as realidades doutrinárias da Igreja do Senhor Jesus Cristo e o nosso andar cristão diante de Deus (Hb 8.1,2,11).
  7. Seu valor teológico: O alvo da teologia é a certificação de fatos que dizem respeito a Deus e as suas relações entre Deus e o universo e a apresentação de tais fatos em unidade racional como partes relacionadas de um formulado e estruturado sistema de verdade. A teologia tem tríplice base:

(1) Existência de um Deus que se relaciona com o universo; (2) Na capacidade da mente humana de conhecer Deus e algumas de tais relações e (3) Na provisão de meios pelos quais Deus se põe em real contato na provisão de uma revelação, sendo uma dessas revelações o Tabernáculo de Moisés (Dt 29.29).

  1. Seu valor missiológico: O Tabernáculo era a “Tenda Missionária”, pois representava o missionário Jesus que veio dos céus para transmitir Boas Novas a todos e, por isso jamais foi plano de Deus que ela permanecesse num único lugar, razão por que a tarefa de transportá-la foi delegada aos sacerdotes e levitas.

A Igreja tem hoje a responsabilidade de levar Cristo aos homens de todas as nações, povos, tribos e línguas (At 1.8; Ap 5.9).

O ACAMPAMENTO DAS TRIBOS DE ISRAEL

A organização de Israel era militar

Cada tribo tinha sua posição no acampamento e possuía seu comandante e sua bandeira. Todos estavam sob o comando de Deus que era o Chefe Supremo e tinha sua Tenda no meio deles. Os movimentos eram dirigidos por meio da Nuvem de glória (Nm 9.15-23).

Estavam organizados em 4 acampamentos:  

O Tabernáculo no centro, sendo que cada grupo de três tribos tinha uma bandeira sob a qual acampavam. É importante acrescentar que uma enciclopédia hebraica, menciona que os quatro rostos da visão de Ezequiel 1.10, correspondem aos quatro símbolos encontrados nas bandeiras sob os quais a nação de Israel acampava (Ap 4.7), assim estavam distribuídos:

  1. Sob a bandeira do Leão – ao Leste, acampavam as tribos de Judá “Louvor ou Triunfo”; Assacar  “galardão” e  Zebulom “Graça”, com  um  total  de  400 soldados (Nm 2.3-9).  A bandeira do Leão representa majestade e poder. (Ap 5.5).
  2. Sob a bandeira do Boi – a Oeste, acampavam as tribos de Efraim “Prosperidade”, Manasses “Perdão” e Benjamim “A destra”, com um total de 108.100  soldados (Nm 2.18-24). A bandeira do Boi representa fidelidade e serviço (Jo 5.17).
  3. Sob a bandeira da Águia – ao Norte, acampavam as tribos de Dã “Confissão”; Aser “Bem Aventurado” e Naftali “Conquista”, perfazendo um total de 157.600 soldados (Nm 2.25-31). A bandeira da Águia representa soberania e divindade (Hb 1.3).
  4. Sob a bandeira do Homem – ao  Sul, acampavam as  tribos de Ruben “Visão”,  Simeão “Obediência” e  Gade “Prosperidade”, perfazendo um total de 151.450 soldados (Nm 2.10-16). A bandeira do Homem representa inteligência e capacidade (Cl 2.2,3).
  5. Em frente à porta do Tabernáculo (oriente): Moisés, Aarão e filhos: Nadabe, Abiu, Eleazar e Itamar. Arão e seus filhos deveriam cobrir todos os utensílios sagrados antes de serem transportados pela família de Coate.

Eleazar exercia a superintendência nas mudanças (Nm 3.32) era responsável pelo transporte do azeite, incenso, ofertas e óleo da unção, além de ser o responsável por todo o Tabernáculo (Nm 4.16) era também chamado de “o príncipe dos príncipes”.

  1. Os Levitas moravam entre eles: não foram incluídos por suas funções sagradas no Santuário, estavam isentos do serviço militar. Constituíam uma guarda especial do Tabernáculo e moravam entre eles. Eram os ajudantes dos sacerdotes.

Por haverem sido resgatados da morte, na noite da Páscoa os primogênitos das famílias hebraicas pertenciam a Deus, mas os levitas pelo seu zelo espiritual foram escolhidos  divinamente  como substitutos dos  filhos mais velhos  de  cada  família. (Êx 32.25-29).

A honra de transportar os objetos sagrados:

De acordo com Gênesis 46.11, Levi teve três filhos: Gérson, Coate e Merari. Os descendentes dos três filhos constituíam três divisões e cada uma delas tinha um cargo especial em relação com o cuidado do Tabernáculo. Seus deveres eram ajudar no transporte do Tabernáculo e formar a guarda quando estavam estacionados:

  1. Os Gersonitas ao Oeste (atrás da Tenda) cuidaram do exterior da tenda, como vigias; transportavam a tenda, as cobertas, os véus, as cortinas do pátio e as cordas (Nm 3.25,26). O transporte era feito em dois carros com quatro bois (Nm 7.7). Representam os diáconos (“aquele que serve”). Cuidavam das necessidades físicas da congregação e dos membros (At 6.1-6).
  2. Os Meraritas ao Norte cuidavam das tábuas, os seus varais, e as suas colunas e as suas bases e todos os seus utensílios (Nm 3.36,37) e transportavam em quatro carros com oito bois (Nm 7.8). Representam os Presbíteros (“bispo ou ancião”) que auxiliam no (1) ensino, (2) na administração e (3) na liderança (At 14.23).
  3. Os Coatitas ao Sul (“obreiros sem carros”) tinham a seu cargo os móveis: A arca, a mesa, o castiçal, os altares, os utensílios e o véu com todo o seu serviço, que transportavam nos ombros e não em carros de bois, embora nunca pudessem ver nenhum dos utensílios sagrados sob pena de serem mortos (Nm 7.9). Representam os Ministros (Ef 4.11) que “levam em seus ombros a parte mais pesada e sagrada do Santuário do Senhor” ( 2 Co 11.28).
  4. Os 6 carros, simbolizam a Igreja “a carruagem do Evangelho” que deve levar a mensagem da Obra Redentora do Calvário, para toda a terra, trazendo convicção do pecado, justiça e juízo pelo poder do Espírito Santo. A Palavra do Evangelho precisa de missionários “carros com rodas” que obedeçam ao “Ide do Senhor Jesus Cristo” (Jo 16.8-10).
  5. Os 12 bois representam os doze apóstolos de Cristo, e do governo apostólico, com um espírito de servo, apoiando o Senhor Jesus Cristo no cumprimento do seu ministério, assim o Evangelho, desde os primeiros apóstolos, tem ido aos quatro cantos do globo. Agora a missão é dos crentes-sacerdotes (Mt 28.18-20).
  6. Características dos 12 bois (apóstolos) em Missões:

  • Bartolomeu – Realizou missões na região da Ásia Menor, atual Turquia. Ministrou a Palavra em Hireápolis e ali após curar a esposa do procônsul e conseguir sua conversão, despertou a fúria do magistrado romano que o teriam condenado à morte por crucificação, mas a tradição relata que obteve a suspensão da pena quando já se encontrava no madeiro (At 1.13).
  • Mateus – A última menção que temos dele encontra-se em Atos 1.13. Acredita-se que Mateus permaneceu na Judéia pelo menos mais 15 anos pregando aos seus compatriotas, dedicando-se ao ministério entre os judeus. Relatos vinculam Mateus a lugares como a Pérsia Pátria, Macedônia e Etiópia.

A história diz que depois foi pregar aos antropófagos os quais teriam arrancado seus olhos e lançado numa prisão por 30 dias, para depois o devorarem, mas aconteceu que ele foi resgatado por André que ali chegara após escapar de uma tremenda tempestade marítima (Mt 9.9).

  • Simão Zelote – As tradições parecem concordar com o fato de que ele se dispõe pregar as regiões distantes como Egito, Cirenaica, Mauritânia, Líbia e ilhas Britânicas. De acordo com Mcbiernie, Simão Zelote atingiu a Britânia após provável campanha no Norte da África e na Gália, onde se associou a doze outros voluntários na missão liderada pelo ex-fariseu José de Arimatéia a Glastonbury, país da Inglaterra (Mt 10.4).
  • Matias – O substituto de Judas. São escassas as informações bíblicas acerca do suplente de Judas. A história da milenar Igreja da Armênia aponta Matias como sendo um dos evangelistas pioneiros naquela região, ao lado de André, Bartolomeu, Judas Tadeu e Simão Zelote.

Algumas lendas mencionam ainda possíveis campanhas missionárias do apóstolo a Damasco, na Síria, à Macedônia, entre 61 e 64 A.D.  Para outras lendas entretanto, seu martírio deu-se em 64 A.D, em Sebastopol, na Ucrânia , ao sul da península da Criméia (At 1.23-26).

  • Tomé – Historicamente falando, sabe-se mais acerca de Tomé do que qualquer outro dos apóstolos. Variadas tradições relatam suas viagens missionárias para a Babilônia, a Pérsia, a Média, a misteriosa Etiópia asiática, a China e, sobretudo a Índia, cujo cristianismo deve suas origens à determinação evangelística do apóstolo. A cristianização da Índia por Tomé é atestada por manuscritos antigos (Jo 20.24).
  • André – Umas das mais fortes tradições acerca do trabalho de André endossado pelo historiador Eusébio, diz respeito ao sul da Rússia, especialmente às regiões outrora desconhecidas como Citia e Partia próximas ao Mar Negro. Ele foi adotado como patrono da Igreja russa. Crê-se que seu martírio se deu na Grécia (Jo 1.40).
  • Felipe – Entre suas jornadas missionárias, depois de Hireápolis na Frigia, fato ou ficção, o nome de Felipe se associa fortemente a evangelização na França (Gália).

Pregou Cristo nas Gálias trazendo seus bárbaros que estavam em trevas à luz do entendimento e ao porto da fé. Mais tarde Felipe foi apedrejado, crucificado e morto em Hierápolis, uma cidade da Frigia, onde foi sepultado de cabeça para baixo, ao lado de suas filhas (Jo 6.5).

  • Judas Tadeu – A região da Armênia foi alvo de incursões missionárias que remontam o primeiro século da Igreja. Judas é consistentemente citado como um dos cinco apóstolos que evangelizou essa região.

A Armênia tornou-se a primeira nação cristã em todo mundo. A Síria e a Pérsia também estão entre as possíveis rotas missionárias do apóstolo (Jo 14.22).

  • Tiago (o Justo) – Notório líder da Igreja em Jerusalém e meio irmão de Jesus. Esse mesmo Tiago aparece mais adiante em Atos 15.13-21 exercendo decisiva participação durante o concilio em Jerusalém. Concluímos que ele não participou das missões transculturais, servindo como missionário de base em Jerusalém (At 15.13).
  • Tiago (Maior) – A tradição relata que esteve realizando missões ao sul da Hispânica (Espanha) uma região muito atraente paras as missões apostólicas. Mas a missão de Tiago a Espanha continuará limitada à especulação, até que se descubram documentos históricos contundentes que comprovem sua missão (Mt 10.2).
  • Simão Pedro – A tradição católica enfatizou o ministério de Pedro em Roma. A impropriedade tanto histórica quanto teológica desse argumento é notória. A tradição propõe diversas possibilidades que ele esteve nas adjacências da Ásia Menor, para cujos crentes Pedro endereça sua primeira carta escrita segundo alguns em Roma por volta de 64 A.D. (1 Pe 1.1). Também exerceu ministério em Corinto e Antioquia da Síria.

A tradição relata que foi condenado a morrer crucificado. Pedro pede para ser crucificado de cabeça para baixo, pois não se sentia digno de morrer como seu Senhor (At 12.5).

  • João – Entendemos que exerceu um ministério muito grande em Éfeso, cidade da Ásia menor, alguns defendem e enfocam suas missões em outras regiões. Também empreendeu campanhas na Partia região que compreende o leste da Turquia, o noroeste do Irã e o sul da Armênia.

A cidade de Roma também é citada como palco de algumas das mais fantásticas lendas ligadas ao trabalho pós-bíblico de João. Teria sido julgado e sentenciado a morrer num caldeirão de óleo fervente. Diz a lenda que mesmo submetido àquela tortura ele saiu miraculosamente ileso daquele caldeirão, assim como não conseguiram o intento de matá-lo o exilaram em Patmos. De acordo com a tradição morreu de velhice e amado por todos (Ap 22.8).

Continuará…

Pastor Antonio Romero Filho

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