Os Sacerdotes do Tabernáculo de Moisés

OS SACERDOTES SEPARADOS PARA O MINISTÉRIO

Deus nomeou Arão e seus filhos:

        

O Senhor Deus escolheu de maneira soberana, Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar, para constituírem o Sacerdócio santo. A vocação sacerdotal era hereditária; os sacerdotes serviam a Deus e os levitas serviam aos sacerdotes (Êx 28.1).  “E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão” (Hb 5.4).

 A perfeição física requerida dos Sacerdotes:

Era uma condição irrevogável da parte de Deus para o sacerdócio, pois do contrário profanaria o Santuário (Lv 21.17-23). O termo bíblico para “perfeito” (grego, teleios) – significa: completo, maduro, o que alcança o seu propósito, integridade moral e espiritual, ou seja, um estado habitual de pureza, para exercer suas tarefas. Vejamos as exigências de Deus:

  1. Cego: A ausência de uma boa e saudável visão deixará a povo sem direção divina, pois toda visão bíblica vai acompanhada pela Palavra de Deus que anuncia a soberana vontade  divina, seja em circunstâncias do momento ou para o futuro (Gn 15.1; 1 Sm 3.1).
  2. Coxo: Caminhar de forma desigual, manquejar, coxear, ou completa paralisia, também significa andar com altos e baixos, ausência de firmeza na fé. As decisões devem ser aplicadas sem titubear, para que o inimigo não encontre brechas para atuar (Mt 14.29; Mt 5.37).
  3. Nariz chato: Muito cuidado para não entrar em questões alheias, na vida particular de alguém, sem que sejas convidado para tal. Criticar, murmurar e intrometer-se na liderança significa “nariz chato”, também resulta em dificuldades para respirar (orar), sentir cheiro (falta de discernimento do pecado) (2 Tm 2.23; Jo 12.4-7).
  4. Membros demasiados compridos: Quando temos mais que o necessário, sobras que prejudicam, pois ante todas as coisas é necessário que avaliemos a nós mesmos, porque às vezes parece que temos mais do que na verdade podemos como o excesso de ambição, santidade, espiritualidade, humildade (Jo 6.12).
  5. Pé quebrado: Dificuldade para caminhar, andar descompassado, compostura desequilibrada – é o perigo de andar com mentiras, hipocrisia, desonestidade, inconstância, comportamento indigno ante Deus para ministrar no Santuário (Hb 12.13; 1 Tm 3.8).
  6. Mão quebrada: Compreende desde a munheca até extremidade dos dedos, cujas funções são essenciais para cuidar do bem estar do corpo. É o obreiro que nunca estende “a mão” para auxiliar ou levantar alguém. Também é símbolo de: maledicência, ira, autoridade perdida (Hb 12.12; At 3.7).
  7. Corcunda: encurvado, curvatura anômala e visível do espinhaço ou peito ou ambos. Não transferir responsabilidades significa ficar encurvado debaixo de tantas tarefas e o peso das responsabilidades podem afetar a vida espiritual e emocional (Ec 12.3b; Jo 4.35).
  8. Anão: Pessoas mui pequenas. Diminutivo de sua espécie. Ausência de crescimento normal. Servirá de tropeço e problemas, nunca verá o mais alto de Deus. Terão sempre sentimentos de complexo de inferioridade, sentimento de baixa estima (Lc 19.3; Ef 4.15).
  9. Defeito no olho: Mancha embranquecida da córnea transparente que dificulta a visão. Fora de foco. Catarata, miopia espiritual. Problemas que obscurecem ou encobrem a visão do ministro, vê tudo distorcido, só defeito nada de virtudes (1 Sm 3.2; Is 6.1).
  10. Sarna: enfermidade cutânea visível e de aspecto repulsivo que provoca intensa coceira e pode ser contagiosa. A sarna espiritual da murmuração, crítica e fofoca pode contagiar, contaminar aqueles que não vigiam. O sarnento tem que ficar fora do arraial do Senhor (Hb 12.15; Dn 1.8).
  11. Impigem: Quando o rosto está manchado. Doença cutânea. Metaforicamente, cara em muitas ocasiões é sinônimo de presença e faz referência à vida psíquica ou a determinado estado de ânimo. A cara é o espelho do coração. Com o semblante decaído não poderemos servir o Senhor da glória (Pv 17.24; 2 Cr 3.18).
  12. Testículo mutilado: Capacidade reprodutora ineficaz. Significa ausência completa de filhos espirituais. A ausência de evangelismo e missões produzirá esterilidade espiritual. Era humilhante na sociedade oriental tal problema, inclusive os tais eram considerados amaldiçoados e infrutíferos. (Gn 18.11; 30.1,2).

Funções dos Sacerdotes e do Sumo Sacerdote:

  • Servir como mediadores do povo e Deus (1 Sm 12.23).
  • Ser os intérpretes da Lei e ensinar o povo (Lv 10.11).
  • Sacrifícios para expiar o pecado do povo (Êx 20.24).
  • Consultar a Deus para discernir sua vontade (Nm 27.21).
  • Servir integralmente no Tabernáculo (Êx 28.1).
  • Manter o fogo do altar de holocaustos (Lv 6.12).
  • Velar pela santidade do povo de Deus (Lv 20.7).

O Dia da Expiação era o mais importante. Somente o sumo sacerdote Arão entrava uma vez em cada ano no Lugar Santíssimo para fazer expiação pelos pecados dele, dos sacerdotes e do povo. Embora o sacerdote em alguns aspectos prefigure o crente, o sumo sacerdote tipificava Jesus Cristo (1 PE 2.5; Hb 2.17).

A consagração dos sacerdotes:

Era celebrado na presença de todo o povo. Moisés ministrava como sacerdote oficiante. Deveriam estar devidamente limpos e ataviados para a seguinte cerimônia de consagração:

  1. Lavagem: Foram submetidos a um banho completo que simbolizava a regeneração, santificação e purificação interna sem a qual ninguém pode aproximar-se de Deus nem servir nas coisas sagradas do Senhor (Êx 29.4).
  2. Unção: Primeiro se derramou azeite sobre a cabeça de Arão. Depois Moisés espargia a unção sobre os filhos de Arão. Assim a presença e o poder do Espírito são importantes para o sacerdócio real dos crentes a fim de que ministrem ao Senhor (Êx 29.7; Lv 8.24-30).
  3. Sacrifício da consagração: As ofertas foram de quase todas as classes nomeadas por Deus. O sangue do animal era posto sobre a ponta da orelha direita, no polegar da mão direita e no polegar do pé direito. A marca do sangue de Cristo fala-nos de que somos de sua propriedade, separados e consagrados para o ministério (Êx 29.15-22).
  4. A cerimônia da consagração: Durava, sete dias (perfeição, plenitude de Deus) significando, que os sacerdotes haviam entrado em uma relação muito intima com Deus, pois comiam do seu altar, recebendo força e graça para cumprir os deveres do oficio e agradeciam a Deus por havê-los colocado em seu serviço tão santo e exaltado (Lv 8.31-36).
  5. O sustendo dos sacerdotes: Nem os levitas nem os sacerdotes receberam terra quando Josué repartiu Canaã porque o Senhor havia de ser sua parte e herança (Dt 18.1-8). Recebiam o dízimo das outras tribos. Alimentavam-se da carne de certos sacrifícios, as primícias, parte consagrada dos votos e os primogênitos dos animais oferecidos ao Senhor. (Lv 8.8-32; 1 Co 9.13,14).

As vestimentas sagradas do sumo sacerdote

Eram feitas do melhor linho fino e era obra primorosa para que estivesse vestido com dignidade, gloria e formosura, pois apontavam para a justiça de Cristo e seu caráter impecável no ministério, como nosso Sumo Sacerdote (Êx 28.1-43).

  • O Calção de Linho (Êx 28.42, 43) – Era ajustado e cobria desde o lombo até as coxas, revelando que o sacerdote necessitava de decência, pureza, moral e conduta limpa para servir no ministério sacerdotal (Hb 13.4).
  • A Túnica Bordada (Êx 39.27) – Era de linho e se levava diretamente sobre o corpo, ajustada, com mangas compridas e abertas e não tinha costura, chegando até o tornozelo. Representa uma vida de autoridade, integridade, sinceridade e justiça (Jó 1.1; 2 Co 3.17).
  • O Manto (Êx 28.31-35) – Feito de linho azul, sem mangas e com abertura para a cabeça. Tinham em sua borda romãs (o fruto do Espírito), bordada de azul, púrpura e carmesim, e campainhas de ouro (dons) no meio de cada romã, ao redor do manto. Isto representa equilíbrio, influência, fervor e poder ministerial (Mt 7.21-23).
  • O Éfode (Êx 28.6,7) – Consistia em duas peças sem mangas, uma dianteira e outra nas costas, que iam até a metade de coxa, unidas nos ombros por duas pedras de ônix, nelas estavam gravadas os nomes das doze tribos de Israel. A responsabilidade, trato, dever e a força devem acompanhar o ministro (2 Tm 2.19).
  • O Peitoral (Êx 28.15, 17, 29) – Era quadrado e feito do mesmo material do éfode. Carregado no peito e continha doze pedras com os nomes das tribos de Israel. No seu interior (espécie de bolsa) levava duas pedras Urim e Tumim (luzes e perfeições). O serviço sacerdotal necessita de sensibilidade, direção, apoio e sacrifício para ser eficaz em suas tarefas (Rm 8.14; Hb 10.22).
  • O Cinto (Êx 28.8) – Feito de linho torcido, de azul, púrpura e carmesim. Prontidão, firmeza, preparação, meta, união e verdade, para o exercício ministerial. Unia as peças, para não se enganchar em nada que pudesse prejudicar o ministério (Rm 1.15; Pv 24.30).
  • A Mitra (Êx 28.36-38) – Turbante feito de uma peça de linho fino e era preso na cabeça por uma fita azul. Na frente havia uma lâmina de ouro puro com a gravação “santidade ao Senhor”. Isto revela proteção, segurança, o senhorio de Cristo, testemunho santo (2 Pd 1.4).
  • O calçado (Rm 10.15; Ef 6.15) – A Bíblia não menciona se os sacerdotes calçavam sandálias ou algum outro tipo especial de calçado, dando-nos a entender que ministravam descalços, diretamente em contato com a areia do deserto. (Ef 6.15; Rm 10.15; Cl 3.2).
  • Para os filhos de Arão foram confeccionadas: a túnica de linho fino, o cinto obra de bordador, tiaras (gorros – NVI) para gloria e ornamento e os calções de linho finíssimo (Êx 28.40-43).

As Vestes – caráter e Ministério de Cristo (Êx 28.1-43).

  1. Túnica de Linho – o Imaculado (Jo 17.16).
  2. Cinto de Linho – o Servo (Jo 13.16).
  3. Manto Azul – o Celestial (Jo 8.16).
  4. Éfode – o Deus-Homem (Jo 1.14).
  5. Peitoral – o Amoroso (Jo 10.15).                                                                       
  6. Mitra – o Obediente (Jo 17.4).
  7. Lâmina de ouro – o Santo (Jo 10.36).
  8. Pedras nos ombros – o Sustentador (Jo 10.28).
  9. Urim – o Intercessor (Jo 17.20).
  10. Tumim – o Juiz (Jo 16.11).

Continuará…

Pastor Antonio Romero Filho

 

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