Mary Slessor – A Rainha de Okoyong

Mary Slessor foi uma presbiteriana que marcou presença na Nigéria, pelo seu grande trabalho e por sua forte personalidade. Nasceu na Escócia (1848), e viveu boa parte de sua vida nas favelas de Dundee. Mary foi marcada pela pobreza e pelos conflitos familiares, sendo às vezes lançada na rua por seu pai embriagado. Dos 11 aos 13 anos, trabalhou no mesmo moinho em que trabalhavam seus pais. Em meio período trabalhava e em meio período estudava.

Aos 14 anos havia se tornado uma habilidosa tecelã de juta. Sustentou a sua casa por vários anos, praticamente sozinha, devido ao número de irmãos que tinha, e ao fato de seu pai viver embriagado. Sua mãe gostava muito de contar histórias missionárias para ela e seus irmãos. Isso afetou muito o seu futuro. Mary sempre se informava sobre o ministério de David Livingstone, missionário no continente africano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aos 20 anos começou a trabalhar em uma Missão que fazia evangelismo ao ar livre. Quando tinha 27 anos, e soube que Livingstone morrera, sentiu no coração o desejo de seguir os passos dele. Desde pequena começou a alimentar um sonho de ser missionária no Calabar, hoje Nigéria, e em 5 de agosto de 1876 rumou para a Etiópia, para de lá chegar à Nigéria.

Estabeleceu-se, a princípio, na cidade de Duke, onde passou a ensinar numa escola missionária. Ficou algum tempo ali, mas entendeu que os missionários viviam uma vida muito confortável, o que ela não queria, por ter sido criada numa condição sem qualquer conforto. Seu coração estava disposto a um trabalho pioneiro e não àquele.

A certa altura, devido aos vários ataques de malária, foi lhe permitido tirar férias para recobrar a saúde e rever a família. A seguir retornou para o campo, mas com nova designação na Cidade Velha, junto ao rio Calabar. Suas funções eram várias ali: supervisionar escolas, distribuir remédios, intermediar brigas e cuidar de crianças rejeitadas.

Aos domingos, viajava pelas matas, de povoado em povoado a pregar o evangelho. Ela passou a conviver com situações extremas. Via, por exemplo, crocodilos enormes nos córregos. Um dia, sua canoa foi atacada por um hipopótamo e ela salvou sua vida e a vida das crianças que estavam com ela, jogando uma panela nas mandíbulas abertas do animal.

Ela via os barracões em que os nativos capturados viviam em condições sub-humanas. Viu-se em uma terra em que prisioneiros aterrorizados mergulhavam as mãos em óleo fervente para confessar sua culpa, onde as esposas eram estranguladas ou enterradas vivas para irem com seus maridos mortos para o mundo espiritual.

Onde chefes sem coração encomendavam homens e mulheres para serem decapitados para orgias canibais. Viu uma cultura permeada por bruxaria, que matava recém-nascidos gêmeos e a própria mãe logo após o parto.

Angustiada, se ajoelhou e orou: “Senhor, a tarefa é impossível para mim, mas não para ti. Mostra-me o caminho e eu o seguirei”. Levantando-se, a seguir, disse: “Por que eu deveria temer? Estou em uma missão real. Estou a serviço do Rei dos reis”. Após uma segunda licença, em 1888, retornou e foi para a região norte, uma região muito difícil, Okoyong, uma área selvagem, lugar que custara a vida de muitos missionários. Viveu ali por quinze anos.

Era uma mulher de desafios e coragem. Passou a servi-los, ensiná-los, cuidar deles e a servir de árbitro no que dizia respeito as suas disputas. Seu papel de conciliadora se tornou conhecido por todos os distritos da região; por causa disso, passou a atuar como juíza entre eles. Devido a isso, foi nomeada a primeira vice-consulesa para Okoyong.  Slessor presidia muitas sessões oficiais que lidavam com questões de terra, dívidas, assuntos familiares e outros.

Ela lutou contra a feitiçaria e a superstição, todavia não pôde ver tantas conversões em seus dias. Ela entendia que estava preparando o campo para outros missionários que viriam no futuro. Viu serem batizadas sete pessoas e uma igreja ser organizada. Pregou o nome de Jesus em todo o tempo e salvou várias pessoas da morte.

Fez tudo o que pôde para o seu Senhor e Mestre Jesus. Ficou conhecida como “A Rainha de Okoyong”, ou “A Rainha Branca de Calabar”. Viveu 66 anos de uma vida dedicada à obra do Senhor na Nigéria.

Rev. José João de Paula

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