Constantino e o Cristianismo

O Império Romano conheceu com Constantino uma das transformações mais profundas da sua história: o cristianismo foi legalizado e o centro de gravidade passou de Roma para uma cidade do Oriente, Constantinopla.

Primeiramente, a fundação de Constantinopla aconteceu no ano 330, pelo imperador Constantino. No mesmo local, já existia a cidade de Bizâncio, construída anos antes pelos gregos.

Primeiramente, durante a Antiguidade, Constantinopla foi importante para vários impérios. Provavelmente, por conta de sua posição estratégia, no encontro entre a Europa e a Ásia.

A princípio, o objetivo da cidade era garantir a dominância do Império Romano. Além disso, Constantino fez o compromisso de investir no desenvolvimento cultural, artístico e social da cidade. Para isso, mandou buscar obras de arte de várias regiões do mundo até Constantinopla. Da mesma forma, documentos da Grécia Antiga foram colocados em bibliotecas para ampliar o acervo da cidade.

Os vinte anos de reinado de Diocleciano significaram para Roma um período de estabilidade e paz praticamente desconhecida no conturbado século III. Parecia, inclusive, que o imperador, com a instauração da “tetrarquia” ou governo dos quatro (dois augustos e dois césares), encontrara um sistema que evitaria o regresso à anarquia militar da qual ele próprio se aproveitara para alcançar o trono.

Mas não foi assim: a renúncia do imperador ao trono, em 305, mergulhou Roma numa nova guerra civil. E tudo porque o novo augusto do Oriente já não era Diocleciano, mas sim Galério, e porque Constantino e Maxêncio, os respectivos filhos do também augusto Constâncio Cloro e do augusto que abdicara, Maximiano, viram frustradas as suas expectativas de se tornarem césares.

Nascimento e infância

Constantino nasceu em Naissus (actual Niš, na Sérvia) numa data que se situará entre os anos 272 e 277. A sua infância decorreu entre quartéis e acampamentos militares, seguindo sempre o pai para onde quer que fosse que os imperadores que se sucediam no trono o enviassem para combater.

Nessas viagens, acompanhava-o também a mãe, Helena, uma mulher de baixa condição, que mais provavelmente seria a concubina de Constâncio Cloro e não a sua legítima esposa.

A visão da cruz no céu

Constantino e Maxêncio. Ambos se enfrentaram no dia 28 de Outubro de 312, na Ponte Mílvio, na realidade um pontão de navios sobre o rio Tibre, a norte de Roma, que Maxêncio construíra para atacar na margem oposta as tropas de Constantino com a que era a sua melhor arma, a cavalaria pesada.

Segundo a tradição, pouco antes de entrar em combate, o filho de Constâncio teve a visão daquela cruz no céu, ao mesmo tempo que ouviu uma voz que dizia: “In hoc signo vinces” (“com este sinal vencerás”). E assim foi.

A batalha terminou com a vitória de Constantino, cujas forças, pela primeira vez na história de Roma, combateram sob o sinal cristão da cruz.

Constantino, deu liberdade de culto e legalizou a situação dos cristãos, mudando decisivamente a história de Roma. Um ano após a batalha da Ponte Mílvio (312), na qual, segundo a tradição cristã, a intervenção de Deus concedeu a vitória a Constantino, este e o seu companheiro no Oriente, Licínio, promulgaram o Edito de Milão.

Fim das perseguições ao Cristãos

A religião cristã deixava, assim, de ser perseguida, o que se traduziu numa rápida expansão que afetou todas as camadas da sociedade romana. O império começou a tornar-se cristão, embora não sem conflitos, tanto entre os adeptos dessa religião e os que se apegavam aos cultos pagãos, como entre as diferentes correntes cristãs, que se confrontavam em questões doutrinárias.

Constantino contribuiu para essa expansão, concedendo privilégios à Igreja, construindo templos e convocando o Concílio de Niceia, a primeira tentativa de estabelecer uma doutrina unificada. Tudo isto levou os historiadores desta confissão, como Eusébio de Cesareia e Lactâncio, a considerarem-no o primeiro imperador cristão, apesar de Constantino apenas ter sido batizado no final da vida.

O Cristianismo perde sua pureza doutrinária

Os cristãos, no entanto, não eram uma unidade na época de Constantino, pelo contrário, encontravam-se divididos numa infinidade de correntes que diferiam umas das outras em questões de doutrina. Uma das mais importantes era a dos arianos, que, com base nos ensinamentos do bispo alexandrino Ário, negavam a divindade de Cristo e, portanto, a ideia da Trindade, ou seja, a concepção de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo.

Constantino, que seguramente nunca terá compreendido estas discussões, tentou levar os representantes dos diferentes grupos a chegarem a um consenso mínimo. Para isso, convocou e presidiu o Concílio de Nicéia, que, em 23 de Maio de 325, reuniu, naquela cidade da Ásia Menor, mais de duzentos bispos, sobretudo da parte oriental do império.

Fruto das suas deliberações foi a condenação do arianismo como heresia e a aprovação de um credo que consensualizava uma primeira definição dos dogmas cristãos, incluindo o trinitário.

Paradoxalmente, tudo isto não significa que Constantino fosse cristão. Durante a sua infância cresceu na crença, difundida entre os militares ilírios, de um único deus, o Sol. Por outro lado, oficialmente, e visto que não recebera o batismo, não poderia considerar-se um cristão.

Apenas veio a ser batizado no seu leito de morte: em Nicomédia, sentindo-se indisposto, pediu ao bispo Eusébio que o batizasse. Pouco depois, em 22 de Maio de 337, morreu. Foi sepultado na Igreja dos Santos Apóstolos que mandara construir em Constantinopla.

A Igreja ortodoxa considera-o o “décimo terceiro apóstolo” e canonizou-o.

Pastor Antonio Romero Filho

 

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