O Incensário de Ouro na Tipologia Bíblica

O Incensário de Ouro (Lv 16.12,13; Ap 8.3).

      O Incensário de Ouro:     utilizado pelo sumo sacerdote Arão no dia da Expiação, quando entrava uma vez por ano no Santo dos Santos com incenso perfumado ( Lv 5-10).

As brasas eram tiradas do Altar de Bronze, e o incenso era ali queimado transformando-se numa espessa fumaça, que deveria cobrir o Propiciatório (a tampa da Arca da Aliança). Se o sumo sacerdote entrasse no Santo dos Santos sem queimar o incenso especial ordenado por Deus, morreria (Lv 16,13).

  1. Assim o Senhor Jesus Cristo entrou além do véu da separação como o precursor, levando o próprio sangue ao trono do Pai (propiciatório), e com base em seus sofrimentos (as brasas com fogo vieram do altar de bronze) e no seu sangue sacrificial. Jesus pode agora fazer intercessão (incenso) por todo seu povo como Sumo Sacerdote eterno (Hb 7.17; 10.21).
  2. Isso representa também, o Senhor Jesus Cristo levando as orações (incenso) dos santos e apresentado-as diante do Pai, com base: (1) no que Ele é; (2) no que Ele fez, e (3) no que Ele disse (Ap 8.1-6).
  3. O ouro revela a glória e a Divindade de Jesus Cristo, no Ministério da intercessão, assentado à destra do Trono do Pai, intercedendo por aqueles que O aceitaram como Salvador e Senhor (Hb 8.1,2).
  4. O incensário de ouro levando brasas de fogo do altar de bronze para queimar o incenso revela o ministério itinerante de Jesus Cristo nesta terra, intercedendo por todos que se aproximavam Dele com fé e também Ele intercede por nós, peregrinos nesta terra (Hb 5.7-10).

A localização do Altar de Ouro e do Incensário de Ouro

Hebreus 9:3,4 (Discussão sobre “a Localização”): Lugar Santo ou Santo dos Santos?

  • 3 – Mas depois do segundo véu estava o tabernáculo que se chama o santo dos santos,
  • 4 – que tinha o incensário de ouro, e a arca do pacto, toda coberta de ouro em redor; na qual estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha brotado, e as tábuas do pacto;

    – Versão AA (Almeida Revisada Imprensa Bíblica)
  • 4 – onde se posicionavam o altar de ouro puro para o incenso e a arca da aliança, também toda revestida de ouro. Nessa arca estavam o vaso de ouro contendo o maná, a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança.

    – Versão KJ1999 (King James 1999)
  1. Hebreus 9.3,4 foi assunto de muita discussão no passado. O problema apresentado é duplo: (1) o significado da palavra grega “thumiaterion”, (2) a localização especifica do thumiaterion dentro do Tabernáculo. O termo foi tomado como significando: “Altar para o incenso” ou “Incensário de ouro”. Já que a palavra em si não indica mais do que algo sobre “o qual” ou “no qual” é colocado incenso.
  2. A KJV e a RSV, seguindo a LXX (Septuaginta), a Vulgata Latina e a Peshitta Siríaca, interpretaram “thumiaterion” aqui como “Incensário”; a ASV, a RSV e a maioria das versões recentes preferiram à alternativa e traduziram “altar para o incenso” como na SBB – Sociedade Bíblica Brasileira.

  1. Em nenhum lugar do Antigo Testamento é mencionado:

(1) um Incensário de ouro como parte dos pertences (ou guardado), no Lugar Santíssimo ou Santo dos Santos.

De acordo com Levítico 16.12,13, no dia da Expiação, Arão deveria queimar incenso no interior do Santíssimo Lugar, sobre o Propiciatório ( tampa da Arca),  isto significa que Arão entraria e usaria “o Incensário de ouro” no interior do Lugar Santíssimo e depois sairia com o Incensário de ouro; pois só podia entrar no Santo dos Santos,  uma vez por ano.

O Incensário teria que ser de ouro e não de bronze, pois o ouro significa na Tipologia Bíblica, glória, divino, eterno, sendo que o bronze aponta para, julgamento e juízo. No Lugar Santíssimo não havia juízo ou julgamento do pecado e do pecador, mas sim, Amor, Misericórdia, Graça, Perdão, Propiciação e Presença de Deus.

(2) Arão jamais poderia deslocar ou remover o Altar do Incenso, do Santo Lugar para o Santíssimo no dia da Expiação, porque de acordo com Êxodo 30.6, sua posição era “diante do Véu que está diante da arca do Testemunho” e não “depois do Véu”.

  1. Na verdade a tradução, não poderia posicionar, nem o “Incensário” e muito menos “o Altar do incenso”, como pertences ou guardados no Lugar Santíssimo.
  2. Mas então o que o tradutor queria transmitir com respeito à palavra grega “thumiaterion” (que indica: “o qual” ou “no qual” é colocado incenso) na epístola aos Hebreus 9.3,4?
  3. As traduções: “que tinha”, “onde se encontravam”, “pertencia”, “onde estava” e outras mais, está se referindo, não a posição ou a localização do Incensário de ouro e menos do altar do incenso, mas está revelando a intima “associação, ligação cerimonial”, em termos de significado, do altar do incenso, do Incensário de ouro e da Arca da Aliança, que simbolizavam as concepções mais intimas do Santuário: a adoração do homem (incenso) e a manifestação de Deus (a arca e o propiciatório).
  4. O altar de ouro e o Incensário podem ser considerados “um”. Cristo nosso Sumo Sacerdote intercessor (altar de ouro) e mediador (Incensário de ouro), levando nossas orações (incenso) à presença do Pai (arca da aliança), onde encontramos perdão (propiciatório).

  1. Pela intima ligação entre o Altar do incenso e o Incensário de ouro, é provável que o Incensário de ouro estivesse sempre ao lado do altar do incenso, no Lugar Santo, onde também estavam posicionadas a Mesa dos Pães da Proposição e o Candelabro de Ouro.

Pastor Antonio Romero Filho

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