O cativeiro na Babilônia: ordem cronológica da queda de Judá

O cativeiro na Babilônia é, de modo geral, a remoção forçada da maior parte da população, especialmente das pessoas mais habilidosas e de classe superior, de sua pátria para outro país. Esta foi a ocasião em que os israelitas foram retirados à força de sua terra prometida, e levados cativos para outros países por imperadores e reis. O exílio babilônico durou ao todo mais de 70 anos.

Cronologia do cativeiro babilônico e assírio:

O primeiro a acontecer foi o exílio dos israelitas do reino do norte (Samaria) efetuado pelos assírios, que é conhecido como cativeiro assírio. Ele ocorreu em duas fases, a primeira em 734 a. C. sob Tiglate-Pileser III (2 Reis 15:29). Logo após, em 722 a. C., sob Salmaneser e seu sucessor, Sargão II, quando a cidade de Samaria foi destruída e o reino do norte deixou de existir (2 Rs 17:5-6).

capital da cidade em chamas, destruída.
imagem ilustrativa

Quando começou o exílio babilônico de Judá?

Em 605 a. C. Nabucodonosor II empreendeu uma grande campanha militar a fim de estender o território de seu império na Babilônia. Este rei foi um instrumento do próprio Deus JAVÉ para disciplinar seu povo devido sua inclinação ao mal (Jr 32:28-30; Dn 5:18). Logo, o próximo grande exílio dos judeus envolveu a destruição do reino do Sul (Judá) e a cidade de Jerusalém. Esse também ocorreu em várias fases, todas sob o rei Nabucodonosor II (Jr 52:28-30).

Portanto, em 605 a. C. ocorreu a primeira deportação para a Babilônia, estima-se que um pequeno grupo de pessoas foram levadas cativas, onde também estavam Daniel e seus três amigos (Dn 1:1-6).

segunda deportação ocorreu em 597 a. C., era o oitavo ano do reinado de Nabucodonosor. O templo de Jerusalém foi saqueado, mas não destruído (2 Rs 24:8-16). Nesta ocasião, cerca de 10 mil pessoas foram levadas a cativeiro, inclusive o profeta Ezequiel, que sempre data suas profecias a partir do cativeiro de Joaquim, rei de Judá em Jerusalém, também levado cativo nessa fase (2 Rs 24:15; Ez 1:1-3).

A mais terrível, quando ocorreu a queda de Judá, foi em 587-586 a. C. (Jr 52:29). Esta pode ser considerada a data oficial do início dos 70 anos do cativeiro. Você entenderá por que mais adiante.

Foi dessa vez que o templo de Salomão em Jerusalém foi destruído, e a dinastia de Davi chegou ao fim (2 Cron. 36:14-20). Este rei babilônico tinha também a intenção de preparar diversos jovens para trabalhar nos negócios de interesse de seu império; de fato alguns jovens hebreus tiveram que se sujeitar a isso (Dn 1:1-4).

Uma outra deportação, a terceira, aconteceu em 582 a. C., provavelmente em represália ao assassinato de Gedalias, homem que o rei Nabucodonosor colocou como governador de Jerusalém em lugar do rei Zedequias, que fora levado cativo devido sua rebelião contra o rei da Babilônia (2 Rs 25:7,22-25).

Essas três últimas deportações são registradas pelo profeta Jeremias.

Jeremias 52:27-30 registra:

“E o rei de Babilônia os feriu e os matou em Ribla, na terra de Hamate. Desta forma Judá foi levado cativo da sua própria terra. Este é o povo a quem Nabucodonosor levou cativo: no sétimo ano três mil e vinte três judeus. (598-597 a. C.)

No décimo oitavo ano de Nabucodonosor ele levou cativos de Jerusalém oitocentas e trinta e duas pessoas. (587-586 a. C.)

No vigésimo terceiro ano de Nabucodonosor, Nebuzaradã, o capitão da guarda, levou cativos dos judeus setecentas e quarenta e cinco pessoas. Todas as pessoas foram quatro mil e seiscentas. (582 a. C.).

JAVÉ também prenunciou pela boca do profeta Jeremias que este cativeiro duraria 70 anos, veja:

E esta terra inteira será uma desolação, e um assombro. E estas nações servirão ao rei de Babilônia por setenta anos.

E acontecerá que, quando setenta anos forem completados, que eu punirei o rei de Babilônia, e aquela nação, diz o SENHOR, pela sua iniquidade, e a terra dos caldeus, e a farei desolações perpétuas. (Jeremias 25:11-12 KJF)”

Note que o evento que marcaria o início dos 70 anos do cativeiro na Babilônia seria a desolação total de Jerusalém, o que inclui a destruição de seu templo, de seus muros, seus palácios etc. Portanto, este evento aconteceu na deportação do ano 586 a. C.

Veja também em Jeremias 29:8-10, que o evento que marcaria o fim dos 70 anos de cativeiro seria a restauração total da cidade. Mais abaixo veremos quando isso aconteceu.

Os profetas que viveram durante e que anunciaram o cativeiro na Babilônia.

Para saber com mais detalhes como aconteceu o exílio babilônico, leia os versículos referenciados em cada trecho acima. E como nós também pudemos perceber nestes breves relatos, os principais profetas do exílio babilônico foram Jeremias, Daniel e Ezequiel.

Isaías viveu entre 765 e 681 a. C. e profetizou muitas coisas acerca do Cativeiro na Babilônia (Is 39:5-7). Já Jeremias, que viveu entre 650 e 586 a. C., um tempo durante o próprio exílio babilônico, não foi levado cativo ao mesmo, mas foi-lhe concedido viver em liberdade onde quisesse (Jr 40:1-6).

Ele pregava que todo o Israel, além de outras nações, deveriam render-se ao rei da Babilônia (porque, através dele, JAVÉ estava disciplinando seu povo devido à sua rebeldia e iniquidade – vide Jr 28:14), e por isso foi tratado até como traidor do povo de Deus (Jr 37:6-15; 38:1-6).

Qual foi o motivo dos cativeiros babilônico e assírio?

A causa que levou os israelitas a sofrerem os cativeiros na Babilônia e na Assíria, começou muito tempo antes destes próprios exílios, para ser mais exato, ainda com o rei Salomão, o terceiro rei da monarquia dos hebreus, cujo reinado durou de 970 a 931 a. C.

Como você deve saber, o rei Salomão ajuntou-se com várias mulheres estrangeiras, e por isso estas o induziram a pecar contra JAVÉ ao inclinar seu coração a adorar deuses pagãos (1 Rs 11:1-11).

Como consequência de tal ato, JAVÉ divide o reino da dinastia de Davi e entrega uma parte do mesmo a um dos servos do próprio rei, a saber, Jeroboão (931 a. C.). Este, por sua vez, mesmo tendo sido inicialmente chamado pelo próprio Deus JAVÉ para herdar o trono real de Israel (1 Rs 11:29-38), ao assumir o reinado, logo de início cuida de instalar a idolatria no reino, pois não confiou em JAVÉ para firmá-lo como rei, e temeu que o povo devolvesse o reino ao filho de Salomão, que reinava em Judá (1 Rs 12:20,25-33).

Daí por diante o povo inclinou-se à idolatria e por isso à maldade, e vários outros reis idólatras também se levantaram, que abandonaram os caminhos de JAVÉ, Deus de Davi, e embora Seus profetas tentassem fazer o povo voltar para os caminhos dele, o povo tornou-se tão obstinado que não houve outro remédio para eles, a não ser sofrer a disciplina e o juízo com o cativeiro na Babilônia (2 Cron. 36:14-20).

Retorno de Israel do cativeiro na Babilônia.

Geralmente se ouve a pergunta quem libertou os hebreus do cativeiro da babilônia, entretanto é importante saber que isso também aconteceu em várias partes, e reis persas foram responsáveis por sua libertação.

Segue uma ordem cronológica dos reis persas que contribuíram para libertar os hebreus de seu cativeiro, confira:

  • Ciro II, o Grande, 559 – 530 a. C.
    • Mencionado nos capítulos 1 e 6 do livro de Esdras, além de Isaías 45:1. Este permitiu o retorno dos judeus do exílio e facilitou a reconstrução do templo em Jerusalém.
    • Em 539 a. C. Ciro conquista a Babilônia e, partilhando o ideal de uma política de respeito às culturas dos povos que conquistava (a fim de conquistar a fidelidade deles), permitiu aos hebreus que retornassem à sua terra de origem e aos seus costumes religiosos.
    • Como dito antes, Ciro é citado em Esdras 1:1-4, que registra o cumprimento da profecia de Jeremias 29:10, e também em 6:3-5, que registra o cumprimento da profecia de Isaías 44:28 (observe que Isaías desempenhou o seu ministério entre 739 e 681 a. C., ao passo que Ciro veio a ser rei da Pérsia em 539 a.C. Há entre eles um período de 150 a 200 anos).
    • Observe que o cativeiro babilônico se refere à Judá, e não a todo Israel.
  • Cambisses II (não mencionado na Bíblia. Filho de Ciro), 530 – 522 a. C.
  • Dario I Histaspes, 522 – 486 a. C.
    • No primeiro ano de Dario, Daniel lê nos livros do profeta Jeremias que os judeus deveriam passar 70 anos no cativeiro babilônico (Dn 9:1-3). Considerando a data de 586, quando aconteceu a queda total de Jerusalém e seu templo, Daniel lê isso aos 64 anos de cativeiro.
    • Ageu e Zacarias pregaram durante o segundo ano de Dario (520 a. C.). Durante seu reinado aconteceu a reconstrução e dedicação do templo (516 a. C.; Ver Esdras 6:13-15).
  • Xerxes I, 486 – 465 a. C. Este possivelmente é o Assuero, mencionado no livro de Ester (1:1-5). Era filho de Dario I.
  • Artaxerxes I Longímano, 465 – 425 a. C.
    • Neemias era seu copeiro e pede-lhe permissão para ir até Judá e reconstruir os muros de Jerusalém em 444 a. C., que é o vigésimo ano de seu reinado (ver Neemias 2:1).
    • A data tradicional da missão de Esdras é no ano sétimo do reinado de Artaxerxes, em 458 a. C. Ver Esdras 7:7.

Qual é a data exata dos 70 anos no exílio babilônico?

Os 70 anos do cativeiro na Babilônia duraram de 587-586 até 516 a. C., que é o sexto ano do rei Dario.

Embora haja diferentes opiniões a respeito da data de duração do cativeiro, essa é uma alternativa aceitável, pois em 586 aconteceu a ruína total do reino de Judá e a destruição do templo, e mais pessoas foram levadas cativas; como registrado em Jeremias 25:11, podemos afirmar que o início dos 70 anos em cativeiro começariam a contar depois da desolação total de Jerusalém.

Se somarmos os anos deste acontecimento até a data em que Ciro conquista a Babilônia e promove a liberdade dos judeus, em 539, teremos apenas 48 anos; porém, no segundo ano do rei Dario, o segundo sucessor de Ciro, em 520, vemos que Judá ainda não havia retornado completamente do cativeiro, se não apenas algumas porções de gente.

De acordo com registro do profeta Zacarias 1:7-13, no segundo ano de Dario (520), é revelado que Judá ainda estava dentro do período dos 70 anos de cativeiro (66 anos). Nesta data, o templo de Jerusalém ainda estava sendo reconstruído desde o primeiro ano em que Ciro conquistou a Babilônia (539, vide Ed 5:13-16), a obra foi finalizada no sexto ano de Dario.

Os 70 anos completam-se finalmente em 516 a. C., no sexto ano do rei Dario, quando o templo de Jerusalém é finalmente reconstruído e a liberdade dos judeus é plenamente recuperada, como JAVÉ havia prometido por meio da carta que Jeremias enviou aos exilados do ano 597.

“Porque assim diz o SENHOR: Após se completarem setenta anos em Babilônia, eu vos visitarei e cumprirei a minha boa palavra em vós, fazendo-vos retornar para este lugar. (Jeremias 29:10 KJF)”

Repare que o profeta Jeremias estava em Jerusalém quando envia essa carta aos cativos de Judá que haviam sido levados para a Babilônia nessa ocasião (29:1). E foi justamente no ano 516 que os judeus recuperaram sua plena liberdade, restaurando seu culto no templo em Jerusalém, os sacerdotes e os levitas, e justamente neste tempo eles puderam celebrar a páscoa novamente com os cativos que lá estiveram, justamente o evento que também marcou a liberdade deles da escravidão no Egito, como registra Esdras 6:14-21.

Portanto, de 586, ano da queda total de Judá e destruição do templo, até 516 a. C., ano da reconstrução do templo, restauração do culto e celebração da páscoa, são exatos 70 anos.

Além de todas essas provas, Jeremias profetizou que o cativeiro levaria 70 anos para acabar em pelo menos duas ocasiões, veja;

  1. Ano 605, primeiro ano de Nabucodonosor (Jr 25:1,11);
  2. Depois ele confirma esses 70 anos de cativeiro em 597, quando envia uma carta aos que foram levados cativos para a Babilônia nessa ocasião, junto com o rei Jeconias (Jr 29:1-10).

Portanto, o exílio só pode ter começado depois dessas datas, então tudo indica que iniciam-se os 70 anos em 586, quando Jerusalém é completamente tomada e seu templo destruído.

O retorno dos judeus do cativeiro da Babilônia também aconteceu em várias fases.

É importante notar que, mesmo depois de completados todos os anos do cativeiro, dos decretos que libertaram os judeus e da restauração de seu templo e seu culto, nem todos eles voltaram para Jerusalém e para as terras de Israel.

Os primeiros judeus retornaram do exílio para Israel em 538 a. C. (Esdras caps. 1 – 6), pouco tempo depois de Ciro ter dado o decreto permitindo-os.

Seus líderes eram Zorobabel e Jesua. Ciro Também permitiu que o templo de Jerusalém fosse reconstruído e ainda proveu tesouros para ajudar nessa tarefa, o que de fato começou a ser feito, como lemos em Esdras 5:13-16. Foram devolvidos ainda os objetos de ouro e de prata utilizados no culto, que anteriormente foram retirados do templo por Nabucodonosor.

Em 458 a. C. o rei persa Artaxerxes I permitiu a qualquer judeu que quisesse retornar para sua pátria (Esdras caps. 7 – 10). Nesta fase foram permitidos estabelecer magistrados civis e juízes judeus, além disso vários homens de Israel haviam se casado com mulheres estrangeiras.

Em 444 a. C. Neemias lidera a última caravana que retorna para Jerusalém sob Artaxerxes I também. Nessa fase foi permitida a reconstrução da Cidade de Jerusalém e em 52 dias Neemias e outros judeus, mesmo com algumas oposições, reerguem os muros da cidade (Ne 6:15).

Este vídeo do Rodrigo Silva também dá muitos detalhes a respeito deste período da história de Israel, e confirmar as informações trazidas neste estudo bíblico:

Fonte: https://bibliaseensina.com.br

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