Ecce homo – “Fiz tudo isto por ti, o que fazes tu por mim”

A AURORA DAS MISSÕES PROTESTANTES

Durante o século XVI, as missões evangélicas estavam totalmente paralisadas por vários fatores, sendo que dois deles afetaram grandemente a visão missionária dos protestantes que quase nada faziam em prol da pregação do Evangelho de Cristo às nações, povos e línguas naquela época de escuridão espiritual.

Em primeiro lugar, a teologia protestante era um fator que limitava a visão dos empreendimentos missionários. Martinho Lutero tinha tanta certeza da Volta eminente de Cristo que negligenciou a necessidade de missões estrangeiras.

Lutero  justificou ainda mais sua posição afirmando que a Grande Comissão só se aplicava aos apóstolos do Novo Testamento que haviam cumprido sua obrigação divulgando o Evangelho através do mundo conhecido, isentando dessa responsabilidade as gerações sucessivas.

Em segundo lugar, os calvinistas usavam geralmente as mesma linha de raciocínio, acrescentando a Doutrina da Eleição que faziam as  missões parecerem inúteis se Deus já escolhera aqueles  a quem iria salvar.

O próprio João Calvino, porém, era pelo menos aparentemente o missionário mais inclinado às missões entre os Reformadores. Ele não só enviou dúzias de evangelistas de volta à sua pátria, a França, como também  encarregou quatro missionários, juntamente com vários huguenotes franceses , de estabelecer uma colônia e evangelizar índios no Brasil.

CONDE VON ZINZENDORF: O ESTADISTA MISSIONÁRIO

Um dos maiores estadistas de todos os tempos e o indivíduo que fez o máximo para avançar a causa das Missões protestantes durante o curso do século 18 foi um nobre alemão, o Conde Nicolau Ludwing Von Zinzendorf, que teve poderosa influência sobre o cristianismo protestante primitivo, a qual, em muitos respeitos, igualou ou superou a de seus amigos cristãos, John Wesley e George Whitefield.

Conde Nicolau Ludwing Von Zinzendorf

Ele introduziu a evangelização e  compôs inúmeros hinos, mas acima de tudo inaugurou um movimento missionário mundial que preparou caminho para Willian Carey e o “Grande Século” das missões que se seguiria.

NASCIMENTO EM MEIO A NOBREZA

Nasceu em 1700 em meio à riqueza e nobreza. Ele ansiava entrar no ministério cristão, todavia parecia-lhe inconcebível quebrar as tradições familiares da nobreza. A decisão aconteceu em 1719, quando um incidente durante uma viagem pela Europa mudou o curso de sua vida.

Enquanto visitava uma galeria de arte viu um quadro  de Domenico Fetti que mostrava Cristo suportando a coroa de espinhos, com a seguinte inscrição:

ECCE HOMO  – “FIZ TUDO ISTO POR TI, O QUE FAZES TU POR MIM?”

ECCE HOMO – “FIZ TUDO ISTO POR TI, O QUE FAZES TU POR MIM?” Pintor Domenico Fetti

Desse momento em diante, Zinzendorf soube que jamais poderia ser feliz vivendo como nobre. Qualquer que fosse o preço, ele buscaria uma vida de serviço para o Salvador que tanto sofreu para resgatá-lo.

Como estadista missionário, passou trinta e três anos como supervisor de uma rede mundial de missionários que esperavam liderança de sua parte. Seus métodos eram simples e práticos, suportando a prova do tempo.

Todos seus missionários eram leigos, treinados para evangelistas e não teólogos. Como leigos, com sustento próprio, esperava-se que trabalhassem junto aos prováveis convertidos, dando testemunho de sua fé por palavras e exemplo de vida – sempre procurando identificar-se como iguais e não superiores.

O ALVO DA TAREFA: EVANGELIZAR COM A MENSAGEM DA CRUZ

A tarefa deles era apenas de evangelização, evitando estritamente qualquer envolvimento em questões políticas ou econômicas locais.

Sua mensagem era o amor de Cristo – uma mensagem evangélica muito simples e entendida por todos e sob a liderança do conde, a igreja dos Morávios colocara grande ênfase à pregação da morte de Cristo e nas missões estrangeiras.

A contribuição mais importante dos Morávios , foi a ênfase sobre a ideia de que “todo cristão é um missionário” e deve testemunhar  através de sua vida diária.

O objetivo supremo dos Morávios era espalhar o Evangelho até os confins da Terra. Outro interessante motivo era que todos eles auto se sustentavam pois eram homens que tinham ofícios e eram comerciantes, isto beneficiou a missão dos Morávios, que estendeu-se para vários lugares, como a Groenlândia, América do Norte, Lapônia – Finlândia,  América do Sul e África do Sul.

Os Morávios

A contribuição de Zinzendorf no terreno das missões é melhor vista na vida dos homens e mulheres que aceitaram seu desafio de abandonar tudo pela causa do Evangelho.

A única motivação deles, não era a fama, a glória humana, o enriquecimento às custas da obra de Deus, mas sim o amor sacrificial de Cristo pelo mundo, e foi essa a mensagem que levaram até os confins da terra.

CONCLUSÃO:

Que Deus levante novos “morávios” e grandes estadistas missionários neste século presente, para recuperar a genuína visão missionária e anunciar a mensagem da Cruz aos bilhões que ainda faltam serem evangelizados.

“Fiz tudo isto por ti, o que fazes tu por mim?”

Conheça mais sobre os moravianos, vendo este vídeo:

Pastor Antonio Romero Filho

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