As abelhas e suas curiosidades

Origem e diversidade

Cultuadas ao longo da história por diversas civilizações como símbolo de riqueza, trabalho ou perseverança, as abelhas surgiram muito antes do homem, há mais de 100 milhões de anos.

Os insetos constituem a classe Insecta, que pertence ao filo Arthropoda e é dividida em várias ordens. Uma delas é a ordem Hymenoptera (himenópteros), que compreende as formigas, as vespas e as abelhas. Dentro dessa ordem, as abelhas pertencem à super família Apoidea (grupo Apiformes).

Acredita-se que elas se originaram a partir de um grupo de vespas, que, ao longo de milhões de anos de evolução, alterou a sua dieta habitual de insetos e ácaros, passando a se alimentar de néctar e pólen das flores para obtenção de nutrientes.

Há também três espécies conhecidas de abelhas que se alimentam de carne, como algumas vespas fazem.

As espécies de abelhas

abelha jatai
Abelha sem ferrão Tetragonisca angustula, conhecida como jataí. Crédito: Cristiano Menezes

Em comum, a Apis mellifera e as abelhas sem ferrão têm o fato de viverem em sociedade, construindo colônias em que podem viver dezenas de milhares de abelhas. Existem ainda as que preferem levar uma vida solitária.

As espécies de abelhas variam em tamanho, forma, coloração, hábitos de nidificação e modos de vida. Quanto ao modo de vida, de maneira geral, as espécies de abelhas podem ser divididas em três categorias: social, solitária e parasita.

Além das espécies sociais, existem as espécies de abelhas solitárias. Neste caso, uma única fêmea é responsável por todas as atividades do ninho, desde a sua fundação, construção de células de cria, coleta de recursos florais como pólen, néctar e óleos, defesa do ninho e postura de ovos.

Geralmente, depois de um a dois meses, ela morre e não tem contato com as suas crias. As novas abelhas emergem como adultas e estão prontas para a reprodução, continuando o ciclo.

Das mais de 20 mil espécies de abelhas conhecidas no mundo, aproximadamente 77% são solitárias, 9,5% são sociais, 13% são parasitas de ninhada e 0,5% são parasitas sociais.

Quanto tempo vivem

As operárias da abelha melífera (Apis mellifera) vivem em média 45 dias, mas podem chegar até cinco meses de vida em climas muito frios.

Os machos são expulsos da colônia por volta de 10 dias de vida e vivem cerca de três semanas no ambiente, mas, caso encontrem uma rainha, morrem logo após a cópula. Já as rainhas podem viver de dois a quatro anos, o que geralmente depende de seu desempenho na postura de ovos.

Como se alimentam

As abelhas se alimentam de recursos florais, principalmente o néctar e o pólen. O néctar é coletado pelas abelhas utilizando a probóscide e representa a fonte de energia para os adultos e crias. O pólen é a principal fonte de proteína, vitamina e lipídeos e é disponibilizado para as larvas dentro das células de cria.

A coleta deste recurso pelas fêmeas adultas requer manipulação das flores, tanto para a retirada do pólen contido nas anteras como para acondicioná-lo em estruturas de transporte de forma a não perdê-lo durante o percurso até o ninho.

polen Mandaguari Scaptotrigona depilisNo caso do néctar, elas armazenam na forma desidratada: o mel. No caso do pólen, ele é fermentado e transformado no “pão da abelha” ou “saburá”.

Entre as abelhas-africanizadas (Apis mellifera), as larvas destinadas a se tornarem rainhas são alimentadas com uma dieta especial: a geleia real.

Esse “superalimento” é rico em proteínas, vitaminas, sais minerais e hormônios sexuais e de crescimento. Ele é produzido em glândulas da cabeça das abelhas jovens. Esse menu especial alimenta a rainha, as larvas recém-nascidas durante os primeiros dias de vida e, especialmente, as larvas que irão originar uma rainha.

Entre as abelhas solitárias não existe o armazenamento de alimento como fazem as abelhas sociais. As fêmeas se alimentam de néctar e pólen diretamente nas flores e também levam para o ninho para oferecer para as suas crias.

Embora seja uma exceção, existem espécies de abelhas sem ferrão carnívoras. Isso mesmo, que se alimentam de carne e vísceras de animais mortos como fonte de proteína. Sabemos que três espécies do gênero Trigona, as mombucas carniceiras, tem esse hábito alimentar.

Recentemente foi descoberto que algumas espécies de abelhas sem ferrão dependem da ingestão de fungos para sobreviver. Os fungos crescem dentro das células de cria e são ingeridos pela larva. Sem o fungo, a larva morre.

Você sabia que as abelhas também são vidradas por cafeína? Algumas plantas secretam cafeína no néctar. E a abelhas são mais atraídas por néctar contendo altas doses desse estimulante natural e ficam “viciadas” nessas flores.

Aparentemente é uma estratégia desenvolvida por causa da competição que existe entre as plantas para atrair seus polinizadores.

Pólen e néctar

O pólen e o néctar são parte crucial da alimentação das abelhas. É neles que elas encontram a proteína e o carboidrato que precisam, respectivamente.

O pólen carrega a célula reprodutiva (gameta) masculina das plantas com flores. Ele é produzido pelas anteras e deve alcançar o ovário de uma flor, seja a mesma ou de outra planta da mesma espécie para que ocorra a formação de frutos e sementes.

Geralmente isso só é possível com uma ajudinha externa, no caso, o vento, a chuva ou animais polinizadores, como as abelhas.

O néctar, por sua vez, é uma solução de açúcares, principalmente sacarose, glicose e frutose, em água em uma proporção que varia de 3% a 87%.

Ele ainda contém diversas outras substâncias complexas que determina o seu aroma, sabor e características nutritivas.

Como se reproduzem

Na Apis mellifera, aproximadamente cinco dias depois de nascer, a princesa (ou rainha virgem) faz seu voo nupcial, no qual copula com diversos zangões.

Depois disso, volta para a colônia e pode voar mais algumas vezes, embora não seja comum.

Já nas abelhas sem ferrão, a princesa realiza apenas um voo nupcial, se acasala com apenas um macho e, depois que retorna para a colônia, nunca mais a deixa.

Por sua vez, o macho que teve a sorte de copular com a princesa cumpriu sua missão na terra: ele cai morto logo após o ato, pois seu órgão genital é rompido (fica preso no abdômen da fêmea).

Os espermatozoides introduzidos nas rainhas, no caso das abelhas sociais e nas fêmeas das abelhas solitárias, ficam armazenados pelo resto da sua vida reprodutiva num órgão chamado espermateca, que funciona como um banco de sêmen.

A rainha das abelhas

Quando a rainha vai gerar uma cria (processo chamado de postura), o óvulo primeiro desce por um canal (oviduto). Se a rainha fertilizar o óvulo com um espermatozoide da espermateca, ela gera uma fêmea diploide ― com duas cópias de cada gene (o materno e paterno) em suas células.

Quando querem produzir machos, as abelhas fecham um canal da espermateca para impedir que os ovos sejam fertilizados. O resultado são machos haploides ― com apenas uma cópia do gene materno.

Esse processo de gerar um indivíduo a partir de um óvulo não fecundado se chama partenogênese e acontece também com vespas e formigas. Com isso, os machos das abelhas nascem sem pai.

A ciência ainda não tem muita certeza por que o sistema reprodutivo desses insetos evoluiu assim. Uma hipótese é que favoreça as fêmeas incapazes de encontrar machos na natureza. Assim, elas conseguem gerar machos com os quais possam copular mais tarde.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: